O MORGADO E A CASA DA SILVA (BARCELOS) SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA (PARTE 1)

 

Adélio Torres Neiva (Missionário do Espírito Santo) – Publicado em “Barcelos Revista”

 

(*) Este estudo foi provocado pela celebração das Comemorações do Cinquentenário da Fundação do Seminário das Missões na Casa da Silva. As circunstâncias prementes de tempo que o condicionaram não permitiram um aprofundamento mais apurado do tema. Trata-se apenas de uma primeira abordagem, que naturalmente fica aberta a uma investigação posterior.

 

 

«A quinta da Silva que he sollar e cabeça deste Morgado... tem dentro em si hûa capella da invocassão de S. Bento e as cazas principais que constão de sinco sallas e hûa cozinha e hûas cazas de mossos que tem tres sallas e seu terreiro chamado Patio que está de muro novo e hum Pombal e duas fontes continuas, hûa que nasce dentro da dita quinta e outra que nasce da parte de fora em hûa bouca de que he direito senhorio o Deam de Braga da qual dita fonte vem agoa ter a hum tanque que esta junto das ditas cazas da parte de fora digo da parte do sul; muita parte desta quinta está de deveza de carvalhos e castanhos e bravios, prados, pumares, olivais e latas com seus corredores hortas e arvores de espinhos.»

(Tombo da Casa e Morgado da Silva. I, fl. 23)

«Junto às pitorescas margens do rio Minho, entre Valença e Vila Nova de Cerveira, na freguesia de S. Julião da Silva,  foi fundada uma forte torre, ninho de ricos-homens, vindos da fronteira da Galiza, para ali fazerem seu assento.

Nela, na arrogante torre da Silva, entrincheiraram-se eles e à linhagem dos seus senhores deu ela o nome. O seu mais remoto ascendente é D. Goterre Alderete da Silva, mencionado como progenitor da estirpe, no Livro velho das Linhagens e no Nobiliário do Conde D. Pedro».

(Anselmo Braamcamp Freire, «Brasões da Sala de Sintra, II, pág. 3)

 

 pág 125

 


 

I - A CASA DA SILVA

 

A «Casa da Silva», situada na antiga freguesia de S, Julião do Calendário, do termo de Barcelos, hoje freguesia da Silva, é um ponto de referência obrigatório para as gentes do vale do Tamel. As suas propriedades e os seus direitos estendiam-se por urna vasta faixa da margem direita do Cávado, que, começando por terras de Prado, se alongava quase até ao mar. Mesmo se, desde 1937, o Seminário das Missões, ali fundado, veio mudar o rumo da casa e dar um novo futuro ao seu passado, a memória das pessoas não conseguiu desligar-se de todo, do vínculo e da recordação do velho solar.

 

Neste primeiro capítulo, vamos estudar as origens desta velha casa senhorial, cuja instituição como morgado, remonta a 1572, ano em que António de Sousa Alcoforado e D. Maria da Silva de Lima, recentemente unidos em matrimónio, o fundaram. É bom dizer-se desde já, que esta Quinta da Silva de que fala o Morgado de 1572, não se identifica com a Casa da Silva, em cujo património, a quinta se inseria. Aquela era muito mais vasta que esta. Na obra monumental de D. Luis de Salazar y Castro, que tem por título «História Genealógica de Ia Casa de Silva» (1), dividida em dois grossos volumes que perfazem um total de 1521 páginas, há apenas duas referências muito breves à «quinta inmediata à Ia villa de Barcelos, que es Ia que posseió Arias Gomes da Silva Viejo» (2), dizendo-se a seguir que tinha o nome de Silva por ter sido fundada pelos senhores desta Casa. E Braamcamp Freire, nas 182 páginas que dedica ao Brasão dos Silvas da sala de Sintra, nunca fez menção desta quinta.

 

É certo que, com a fundação do Morgado da Quinta da Silva, esta foi adquirindo uma importância crescente, creio bem mais por mérito dos Alcoforados que por crédito da quinta dos Silvas. De qualquer modo, a Casa da Silva tem um horizonte muito mais vasto que o perímetro e a história deste velho solar.

 

A Casa da Silva conta-se, de facto, entre as mais ilustres casas da nobreza de Espanha e, Portugal. De geração em geração, mercê de casamentos

 

(1) Luis de Salazar y Castro. História de Ia Casa de Silva. Madrid 1685.

 

(2) Ibid., pág 22

 

 

pág126

 


e alianças, o seu tronco foi-se ramificando por Portugal, Castela, Leão, Aragão, França, Nápoles, Sicília até às índias, chegando a ter 16 casas tituladas.

 

As primeiras informações a ela referentes, colhidas nos mais antigos livros portugueses de linhagens, são-nos fornecidas pelo Livro do Deão, que remonta aos anos de 1337-1340 (3). Anterior a este livro, há apenas o Livro Velho de Linhagens, redigido provavelmente no princípio do reinado de D. Dinis, pelos anos 1270-1280, que se limita a enumerar cinco famílias nobres, todas da parte meridional de Entre-Douro e Minho, da região de Paiva e de Bragança. O Livro do Deão, que dá a impressão de querer completar o quadro insuficiente do Livro Velho, enumera, além dessas cinco, mais vinte e duas famílias, alargando o leque por todo o resto do Minho, Trás-os-Montes e Terra de Santa Maria, entre elas aparece a Casa da Silva.

 

A Casa da Silva voltará a ser elencada, agora mais desenvolvidamente, no Nobiliário do Conde D. Pedro, do terceiro quartel do século XIV e que apresenta já cinquenta e um títulos, agora alargados à Beira, Estremadura e Ribatejo (4)

 

Se é verdade que o Livro Velho só fala dos Sousões, Braganções, senhores da Maia, de Baião e de Riba Douro, José Matoso não hesita em afirmar que «se encontram outras famílias que atingem o mesmo nível, mas que parecem ser de origem mais recente ou procederem de ascendência galega; entre as primeiras contam-se, além de outras a dos Silvas» (5). O problema é que, segundo o mesmo autor, as cinco famílias citadas no Livro Velho, podem já documentar-se desde o fim do século X ou princípio do XI, enquanto que, para as outras, só temos documentos a partir do fim do século XI.

 

Entre os títulos que a Casa da Silva veio a ter, D. Luis de Salazar v Castro faz o seguinte elenco:

 

- na linha de Chamusca, três títulos de Duque (os de Pastrana, Estremera e Francavida), dois de Príncipe (Melito e Evoli), dois de Marquês (Argecilha e Almenara) e dois de Conde (Galve e Triviana). O quarto duque de Pastrana D. Rodrigo tinha dez títulos das Casas do Infantado e Lerma.

 

(3) Portugaliae Monumenta Historica. Nova Série, Vol I, Livros Velhos de Linhagens, Academia das Ciências, Lisboa, 1981 Ed crítica de José Matoso.

 

José Matoso, A nobreza de Entre Douro e Minho na História Medieval de Portugal, in A Nobreza Medieval Portuguesa, A família e o poder. Ed, Estampa, pág 289-313

 

(4) José Matoso, P,M.H- Vol, lI 2, TIT, LVIII

 

(5) José Matoso, Ricos-Homens, Infanções e Cavaleiros. A Nobreza Medieval Portuguesa nos séculos XI , XII, pág. 45-46

 

 

pág. 127

 


- na linha de Alenquer, um título de Duque (Hijar), um de Marquês (Alenquer), cinco de Conde (Salinas, Rivedeu, Belchior, Guimera e Volfogona), oito de Visconde (Añes, Tatrou, S. Martin de Subirarias, Illa, Alquer Forador, Alia e Evol).

 

- na linha dos Marqueses da Eliseda, dois títulos de Marquês (Eliseda e Aguiar) e um de Conde (Castanheda).

 

- na linha de Orani, um título de Marquês (Orani) e vários senhorios.

 

- na linha dos Aposentadores-Mores de Portugal, o título de Conde de Santiago.

 

- na linha de Vagos, sete títulos de Conde (Vagos, Aveiras, S. Lourenço, Unhão, Vila Pouca, Vila Maior e Arada) e o de Marquês de S. Leonardo na Sicília.

 

- na linha dos Alcaides-Mores de Campo Maior, o título de Conde de Portalegre e o de Marquês de Gouveia.

 

- na linha de Ciudad Rodrigo, os títulos de Conde de Alba de Yeltes e de Guaro.

 

- na linha de Cifuentes, um título de Conde (Cifuentes) e cinco de Marquês (Montemor, Alconchel, Aguila, Vega e Floresta).

 

Assim, no final do reinado de Filipe IV, a Casa Silva arvorava nada menos que 61 títulos de Duque, Príncipe, Marquês, Conde, Visconde, adquiridos ou por sucessão hereditária ou por alianças matrimoniais.

 

A esta Casa da Silva pertenceram alguns nomes dos mais notáveis do Reino, a quem foram confiados os mais altos cargos tanto da administração pública como do foro militar. Os altos funcionários da Côrte eram o Mordorno-Mor, o Alferes e o Chanceler. O Mordomo era por assim dizer, o chefe da Casa Civil do Rei; Alferes era um cargo de atribuições militares: os dois constituíam os postos máximos da aristocracia (6).

 

Lembremos apenas alguns nomes da Casa da Silva que se guindaram a esta escala. D. Paio Guterres da Silva, vicarius regis de D. Afonso VI de Leão e que deve ter sido o principal representante da autoridade régia em terras do Cávado; Aires Gomes da Silva, que foi aio de D. Fernando, alferes-mor e Condestável do Reino de Portugal, Alonso Tenório da Silva, adiantado perpétuo de Caçorla e notário-mor do Reino de Toledo, D. João da Silva, alferes-mor de Castela e mordomo-mor da Rainha D. Maria, Afonso

 

(6) Ibid, pág. 116

 

 

pág. 128

 


Gomes da Silva, alcaide-mor de Coimbra e da Covilhã; João Gomes da Silva, senhor de Vagos, copeiro-mor e alferes-mor de Portugal, Aires Gomes da Silva, Justiça-Mor de Portugal, etc.

 

Durante longas gerações, o posto de Regedor da Justiça, o de Aposentador-Mor e o de Mordomo-Mor estiveram confiados a esta Casa.

 

Do seu valor militar, falam-nos com frequência as Crónicas dos Reis de Portugal, nomeadamente as de Fernão Lopes; de facto, os pergaminhos da Casa da Silva acompanham de perto os méritos e as vicissitudes da reconquista e defesa do território; só na Batalha de Alcácer Quibir pereceram 13 membros da Casa da Silva.

 

Nem faltam na história da Casa da Silva personagens ilustres ligadas à história da Igreja ou que se notabilizaram nos caminhos da santidade.

 

João da Silva Meneses, mais conhecido por Beato Amadeu, fundou a primeira reforma da Ordem de S. Francisco, na Itália, e viu florescer, ainda durante a sua vida, vários conventos.

 

Santa Beatriz da Silva fundou a Congregação da Imaculada Conceição.

 

À Casa da Silva pertenceram ainda dois Cardeais, vários Arcebispos de Braga, Granada e Saragoça, entre os quais o célebre D. Frei Diogo da Silva, Bispo de Ceuta, primeiro Inquisidor Geral do Reino e Arcebispo de Braga.

 

A História da Genealogia da Casa da Silva foi longamente contada em 1685 por D. Luis de Salazar y Castro, cronista do rei de Espanha, mas a preocupação evidente do autor em fazer ressaltar os méritos e os créditos da dita Casa bem como os limites da investigação histórica da época, e a dificuldade que ele teve em consultar os arquivos exigem uma leitura criteriosa desta obra.

 

Segundo a descrição do Gabinete dos Estudos Heráldicos, as armas da Casa da Silva são: de prata, leão de púrpura armado e linguado de vermelho. Timbre: o leão das armas. Outros do mesmo apelido usam: de prata, leão de vermelho, lampassado de azul e à roda do leão, em forma de era, uma silva de verde, com flores e espinhos de oiro. Timbre: o leão das armas (7).

 

O escudo foi depois usado pelos diversos ramos da família, com ligeiras variantes. À frente veremos o usado pelos senhores da Silva, de S. Julião do Calendário de Tamel.

 

(7) Enciclopédia Luso Brasileira, Vol. 17.

 

 

pág. 129

 


1. As origens da Casa da Silva

 

Discordam os historiadores quanto à origem da Casa da Silva, podemos resumir em três as opiniões mais correntes.

 

Uns, tomando como ponto de partida o apelido Silva, fazem remontar a origem da Casa aos Sílvios, reis de Albalonga e à Casa Sílvia, que depois deles, floresceu na Roma Antiga, com notável esplendor. Por esta opinião se bateram, entre outros, Damião de Gois, João Baptista Lavanha e outros. Nessa linha se situariam apelidos como Sílvio, Silvano, Sila, Salviano, Salvio, etc. de que falam tanto os historiadores antigos como a literatura cristã.

 

Apoiando-se no dado patronímico, uma segunda opinião faz derivar a família Silva, de Alderedo, príncipe Godo que no tempo do rei D. Ramiro I teve a dignidade de Conde Palatino. Tanto o Livro do Deão como o Nobiliário do Conde D. Pedro começam a genealogia da Casa da Silva com D. Guterre Alderete, este Alderete teria herdado o seu nome do conde Alderedo, que viveu pelos anos 840, reinando nas Astúrias D. Ramiro I. É esta a versão defendida por Frei Francisco de Santiago, quando se refere aos senhores da Casa da Silva na sua Crónica sobre o convento do Bom Jesus do Monte da Franqueira.

 

A terceira hipótese baseia-se em argumentos de natureza heráldica. Partindo da análise das armas da Casa da Silva, que têm como motivo principal o leão, e da presença de certos nomes antigos nos pergaminhos da família, como Gutierres, Paio ou Pelágio, etc. há quem defenda que é na linhagem dos reis de Leão que deve ser procurada a origem desta família.

 

No entanto, Braamcamp Freire é peremptório: «O facto do brasão dos Silvas ser um leão, é mera coincidência, habilmente aproveitada. Tudo o que for para além do que diz o Nobiliário é pura fantasia. Ponho hoje completamente de parte a ascendência de D. Froila, rei de Leão e Galiza, a qual, com toda a reserva, contudo, aceitei em tempos» (8).

 

Não é fácil, de facto, desdobrar a meada de gerações que nos levam às raízes do progenitor «oficial» da família Silva, Guterre Alderete. Talvez possamos recuar até ao infante D. Ordonho, filho do rei de Leão, Froila ll, que reinou em 924-925. Este infante foi pai de D. Paio Guterres que era por sua vez pai de Guterre Pais, governador da terra da Maia, que então se estendia da margem direita do Douro até à esquerda do Lima, e avô de D. Paio Guterres da Silva que viveu e foi governador de Alava (Espanha) no tempo dos reis de Leão D. Afonso V (999-1027), D. Bermudo III (1027-1035), e D. Fernando Magno (1035-1065). D. Paio Guterres da

 

(8) A. Braancamp Freire, Os Brazões da Sala de Sintra, III Vol, pág. 17.

 

 

pág. 130

 


 


Entrada para o pátio do solar, mais ou menos a meio do actual jardim da entrada

 

 

 

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Silva foi filho de D. Guterre Alderete da Silva, rico-homern de Leão e Castela, no tempo do rei D. Afonso VI (1072-1109) e o primeiro conhecido com o apelido Silva.

 

É com este Guterre Alderete da Silva que tanto o Livro do Deão como o Nobiliário do Conde D. Pedro abrem a gesta genealógica da Casa da Silva.

 

Tratar-se-ia, portanto, de uma família cujas origens poderiam estar, como tantas outras dessa época, intimamente relacionadas com a Casa Real de Leão.

 

 

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Segundo nos conta D. Melchior de Teves no seu Livro da Casa de Lerma e o confirma D. Luis de Salazar y Castro, D. Guterre Pelaio herdou de seus pais muitas terras na província de Entre Douro e Minho, entre elas a freguesia de Oserdão (hoje Cerdal), com os dois lugares chamados Alderete de Jusão e de Susão que deveriam ser os principais lugares da freguesia; por isso o Conde D. Pedro apelida D. Guterre de Alderete, dando a entender por este apelido, o senhorio que ele tivera nestes dois lugares. O mesmo aconteceria, de facto, com a maior parte das famílias nobres da época: o apelido vem-lhes da terra que possuíam (9).

 

Além do Cerdal, D. Guterre foi também senhor da Torre e Quinta da Silva, entre Vila Nova de Cerveira e Valença e que confinam com a freguesia do Cerdal.

 

Não se afasta muito desta hipótese José Matoso quando diz que a família Silva era provavelmente originária de Froião, terra em que se situava a Torre e a Quinta da Silva, pois o indivíduo que confirma um documento régio em 1129 ou 1130 com o nome de Paio Guterres da Silva (10) deve identificar-se com o que usa o nome de Paio Guterres de Froião em 1134, ao confirmar o couto concedido por D. Afonso Henriques ao mosteiro de Sanfins de Friestas (11).

 

«A Torre de S. Julião da Silva, que parece ser o solar da família, estava situada no extremo ocidental do Julgado (de Froião), enquanto o castelo de Froião ficava no extremo oriental, face ao da Pena da Rainha, e em

 

(9) Luis Salazar y Castro ob. Cit., pág. 76,

 

(10) Documentos Medievais Portugueses. Documentos Régios Vol, I, doc. nº 96,  Ed. Rui de Azevedo

 

(11) Ibid , doc, nº 192

 

 

pág. 132

 


posição de vigiar, a oeste, o caminho de Arcos de Val a Monção. Da Torre da Silva, por seu lado, poderia vigiar a estrada que ia de Ponte do Lima para Valença e Tuy, ainda mais frequentada que a primeira».

 

Este castelo de Froião, segundo crê José Matoso, devia ser o principal castelo do território de Coura em 1156 e que daria o nome ao Julgado de Froião no século XIII; englobava este julgado a área que depois foi desmembrada para formar o concelho de Valença. Entre esta futura vila e a de Cerveira, estava situada a Torre de S. Julião da Silva.

 

Pinho Leal diz simplesmente que «D. Guterre Alderete da Silva veio para Portugal pelos anos de 1040 e fez assento nesta torre que desde então se denominou da Silva. Na aldeia do Cerdal possuía o mesmo D. Guterre uma quinta à qual pôs o nome de Alderete», mas nenhuma prova apresenta a abonar a sua afirmação (13).

 

Acrescenta D. Melchior de Teve (14) que a Torre e a Quinta da Silva teriam sido doadas por D. Guterre Alderete ao mosteiro de Oia, da Ordem de S. Bernardo, situado entre Tuy e Baiona e onde o mesmo D. Guterre estaria sepultado. A hipótese é possível, se considerarmos que, de facto, em 1128 doou a infanta D. Teresa a Paio Guterres Froião a igreja de Mozelos, em Paredes de Coura, com o encargo de, depois da sua morte, ficar para os mosteiros de Oia e de Gonfei (15). Provavelmente, Oia, antes de ser mosteiro cisterciense, terá sido beneditino, como aconteceu com vários outros da mesma época e da mesma região nomeadamente o de Santa Maria de Fiães em Melgaço (17).

 

De facto, segundo documento do século XIV, o mosteiro de Oia possuía numerosos títulos no Entre Minho e Lima, num total de 69, distribuídos pelas freguesias de Santa Maria da Silva (a granja da Silva), S. Julião, S. Miguel, Gondomil, Cerdal, S. Pedro da -Torre, Valença, S. Salvador de Gândara, Cornes, Vila Nova, Vila Meã, Gondarém, S. Pedro de Mangoeiro, Campos, Covas, Reboredo, Fontoura, Cerveira e Sugulfe (18).

 

A «granja da Silva» era nos séculos XIV e XV uma exploração agrária

 

(12) José Matoso, Identificação de um país. Ensaio sobre as origens de Portugal. 1069-1325. Vol I, pág 140

 

13) Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, Vol. IX, pág. 365

 

(14) Luis de Salazar y Castro, ob. Cit. , pág. 76

(15)  D. M P., doc, nº II

(16) Dom Maur Cocheril.  Études sur le Monachisme e Espagne e tau Portugal, 1966, pág. 374.

Dom Maur Cocheril, Abadias Cistercienses Portuguesas in Lusitania Sacra, Tomo IV, 1959, pág. 61-92.

(17) D. M. P –D. R , I, nº 318.

(18) José Marques, O mosteiro de Oia e a granja da Silva no contexto das relações Luso-Castelhanas dos séculos XIV e XV. Sep., da Revista de História, Vol VI, 1958, pág. 21

 

 

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de grande envergadura e funcionava como cabeça e celeiro de, todos os bens que o mosteiro possuía.

 

De acordo com os dados fornecidos pelos documentos, esta granja era constituída por 10 casais, 4 campos, 1 lugar, 4 herdades, 2 vinhas, 1 casa e mais uma parcela não identificada, num total de 24 unidades ou títulos dos 69 que constituíam o património do mosteiro naquela região. Em S. Julião eram cinco os títulos do mosteiro, em S. Pedro da Torre, 5.

 

Esta granja da Silva, «além da importância económica inerente ao número e qualidade de títulos que a integravam e devido ao facto de ser cabeça e celeiro do domínio do mosteiro», viria a ter grande importância no quadro das relações galaico-minhotas.

 

Assim, seria do nome desta quinta, que proviria o apelido Silva que D. Pedro junta a D. Guterre Alderete (19).

 

Não sabemos se foi D. Guterre o primeiro a usar o nome de Silva - D. Melchior de Teves diz que não - mas o que parece fora de dúvida é que foi ele o progenitor da Casa da Silva, conforme o atestam as genealogias de Castela e de Portugal. Veio a casar com D, Maria Pares de Ambia.

 

O nome de Silva por que era conhecida a quinta podia muito bem ter origem na natureza da própria propriedade: terreno inculto, com árvores bravias e plantas silvestres, identificava-se muito melhor como bosque ou seiva (silva significa bosque) do que com uma herdade ou casal. O mesmo aconteceu, por exemplo, com a quinta da Mata, a quinta da Veiga ou os Sotomaiores.

 

D. Luiz de Salazar y Castro afirma ainda que as outras terras e quintas de Galiza e Portugal, conhecidas com o nome de Silva, são filiadas desta, ou seja, terão sido propriedades dos senhores da Casa da Silva, que assim lhes deram o seu nome. Não sabemos como nem quando essas quintas nasceram. D. Luiz não dá pormenores, dizendo apenas que são «fundações dos mais antigos senhores desta Casa». A verdade é que conhecemos, de facto, outras quintas (- propriedades com esse nome e que pertenceram à família Silva: a quinta da Silva, que em 1540 possuía D. Baltasar Sequeiros e Sottomayor, 1º Conde de Piegue, que lhe deixou por maiorato, juntamente com o lugar de Busteu, D. Briolanja Pereira da Silva, mulher de D. Rodrigo Sequeira da Silva; a freguesia ou abadia de Silva Escura, no Bispado do Porto, concelho da Maia (20), a igreja de S. João da Silva em Tuy a qual o rei D. Dinis de Portugal trocou com o bispo de Tuy D. João Fernandes do Sottomayor, no ano de 1308, pelos patronatos de Santa Maria de

 

 

(19) A Brandão, Monarquia Lusitana, 3ª parte, Cap. 31, fl, 60

(20) D, Rodrigo da Cunha, Catálogo dos Bispos do Porto, 2.ª parte , pág 401

 

 

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Pátio do solar com a garagem ao fundo

 

 

 

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Monção e Castro Laboreiro e a quinta da Silva, perto de Barcelos, que possuía Aires Gomes da Silva, que será objecto do nosso estudo. No bispado de Viseu, perto do Celorico, diz Frei Luis de Sousa, existia a ermida de S. Domingos da Silva (21). O concelho de Silvares em Trás-os-Montes, poderia também estar ligado à mesma fonte.

 

II - A CASA DA SILVA: SUA EVOLUÇÃO E EXPANSÃO

 

Seria demasiado longo e cansativo desbobinar aqui toda a sucessão genealógica da Casa da Silva. Uma boa parte dessa sucessão tem mesmo seu assento em terras de Espanha. Também não é esse o objectivo deste estudo. Interessa apenas dar uma ideia global da evolução e da expansão desta Casa que sirva de pano de fundo ao Morgado da Quinta da Silva, da freguesia de S. Julião do Calendário. Até porque a história genealógica desta família é bastante complicada e cronistas como Salazar y Castro ou Braamcamp Freire viram-se em sérias dificuldades para pôr alguma luz numa meada realmente difícil de desdobrar.

 

1 . As raízes primitivas

 

O filho e primeiro sucessor do fundador da Casa da Silva D. Guterre Alderete da Silva, foi D. Paio Guterres da Silva. Desempenhou, pelo menos entre os anos de 1078 e 1081 as funções de Vicarius Regis de D. Afonso VI de Leão (22), que devia corresponder ao encargo de administrador dos domínios régios no antigo Condado Portucalense, depois da morte de Nuno Mendes (23). Casou com Dordia ou Doroteia Mendes, irmã de Soeiro Mendes da Maia e filha de Mendo Gonçalves, a quem os «Annales Portucalenses Veteres» chamam de «varão ilustre e de grande poder em todo o Portugal». Uma das suas filhas viria a casar com Egas Moniz e outra com Gonçalo Mendes da Maia.

 

Recebeu herdades em Rio Mau, perto de Chaves, que deu à Sé de Braga e talvez em Montezelos, perto de Vila Real (24). Tinha ainda outras terras em Gualtar que trocou por outras em Tibães. Fundou ou reedificou o

 

(21 ) Frei Luís de Sousa, História de S Domingos, 1ª parte, Lib. 4, pág. 4, fl. 209.

(22) Liber Fidei Sanctae Bracarensis Ecclesiae. Ed Avelino de Jesus Costa, nº 271, 108

(23) J. Matoso, Identificação de um país, pág. 134.

(24) Liber fidei ,. nº 98, 99

 

 

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mosteiro de Tibães e o vivo interesse que mostrou por este mosteiro, criou uma tradição que o Livro do Deão recolheu «pero era leigo, foi abade em todo o tempo de sa vida em Tibães» Assim, os domínios dos Silvas se começaram a estender para os lados de Braga. A meia légua do mosteiro de Tibães, havia mesmo a quinta da Silva-Mi, certamente relacionada com a família da Silva.

 

Durante o último quartel do século XI, D. Paio Guterres parece ter sido o principal representante da autoridade régia em terras do Cávado (26),- por voltas de 1098 era governador da Terra de Neiva.

 

D. Rodrigo da Cunha diz que ele foi o fundador do Mosteiro de Cucujães (27). A informação foi certamente colhida no Nobiliário de D. Pedro que no título 58 o afirma expressamente: «dom paayo Goterrez da Sillua o que fundou o moesteiro de Cujaaes». Braamcamp Freire repeti-lo-á com a mesma convicção. Mas Miguel de Oliveira provou a impossibilidade da hipótese, pois nessa data era inviável a existência do mosteiro (28).

 

Como já disse mais atrás, José Matoso identifica este Paio Guterres da Silva com Paio Guterres Froião, que em 1134 confirma o couto concedido por D. Afonso Henriques ao mosteiro de Sanfins de Friestas (29) o último documento em que se sabe ele estar ainda vivo. Nesse caso, devia-lhe pertencer também a igreja de Mozelos, em Paredes de Coura, que a infanta D. Teresa lhe doou em 1128 com a condição de, por sua morte, a deixar ao mosteiro de Santa Maria de Oia e S. Salvador de Gonfei. (30) O documento perdeu-se, mas temos a sua referência nas Actas das Inquirições de D. Afonso III (31).

 

D. Paio Guterres da Silva teve, entre outros, dois filhos: D. Pedro Pais da Silva, por alcunha o «Escacha» e o Conde D. Gomes Pais da Silva.

 

D. Pedro Pais da Silva foi alcaide de Coimbra em 1140, no tempo de D. Afonso Henriques (32) José Matoso admite a hipótese de este Pedro Pais da Silva se identificar com Pedro Pais que foi mordomo de D. Henrique, sucedendo no cargo a Paio Soares (33), Pedro Pais era sem dúvida um

 

(25) L. D, 15 Bl

(26) J. Matoso, Infanções, pág. 51

(27) D. Rodrigo da Cunha, op cit, pág 385,

(28) Miguel de Oliveira, O mosteiro de Cucujães e o seu fundador in Ourique em Espanha, pág, 121-129

(29) D. M. P nº 142.

(30) Ibid.,  nº II

(31) P. M. H., Inquirições I, pág. 357

      - D M P , Doc. Régios, Vol. I, Tomo II -- Referências.

(32) A. Brandão, Monarquia Lusitana, 3 P. Lib. 10, Cap, IX, pág, 135.

(33) José Matoso, Infanções, pág. 117.

 

 

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nobre de grande categoria pois tinha desempenhado as funções de Vicarius Regis pelo menos em 1081. Pertencia, portanto, à categoria dos infanções, representantes de D. Afonso VI, em território portucalense. O relevo social de Pedro Pais vem-lhe ainda de ter casado com Elvira Nunes, filha do conde galego Nuno Vasques e neta da condessa Gontrode Nunes, tia do último Conde de Portugal. A sua riqueza prova-se bem pelo facto de em 1120 ter dado à mulher urna herdade que tinha adquirido por pagar ao Conde D. Henrique 3000 maravedis em vez de Monio Ermeriques (34).

 

O outro filho de D. Paio Guterres da Silva, D. Gomes pais da Silva, era alcaide do castelo de Santa EuIália, quando em 1204, D. Afonso Henriques fez doação daquele castelo ao convento de Santa Cruz de Coimbra (35).

 

Para o satisfazer, ordenou El-Rei ao abade crúzio D. João e aos seus frades que lhe fizessem doação de certos bens. Casou com D. Urraca Nunes.

 

Pode dizer-se que este Gomes Pais da Silva foi o verdadeiro tronco da família Silva, pois foi ele o primeiro que começou a usar as armas do leão que a família conservará. Em 1166 tinha ele a dignidade de Conde, que, não sendo hereditária, se dava aos ricos-homens de sangue mais nobre, com o senhorio ou governo de alguma terra importante.

 

A este fidalgo concedeu o rei muitas herdades na ribeira do rio Minho.

 

A Gomes Pais da Silva sucedeu seu filho Paio Gomes da Silva, senhor da Torre e quinta da Silva, na freguesia de S. Julião da Silva, do julgado de Valença.

 

É bastante atribulada a história dos proprietários e mesmo da identificação desta Torre e Quinta da Silva. Segundo as declarações das testemunhas da primeira alçada, das Inquirições de D. Diniz, «perguntando (o jurado) se há aí alguma honra feita pelo Rei, disse que não, que ele o soubesse, mas disse que há aí a quinta da Silva, que a viram sempre honrada e foi de D. Pedro Gomes da Silva, que foi neto do célebre D. Paio Guterres da Silva» (36).

 

Esta quinta veio a pertencer a Gonçalo Rodrigues de Abreu, que a possuía na primeira metade do século XIV (37).

 

Por carta de 29 de Setembro de 1358, D. Pedro I doou-a, primeiro temporária e depois para sempre, a Aires Gomes da Silva, aio do infante D. Fernando.

 

(34) Ibid., pág 118

(35) Forrais Antigos Ref. em Braamcamp Freire. Brazões, Vol. lI, 2 ª Ed., Coimbra, 1930

(36) A. Lopes de Oliveira, Valença no Minho, pág, 38

(37) Lourenço Alves, Do gótico ao Manuelino no Alto Minho, pág 57

 

 

pág. 138

 


 

Novas referências à quinta e Torre da Silva aparecem-nos com D. Afonso V, que, por uma carta de doação de 23 de Setembro de 1450 espolia de todos os seus bens, Aires Gomes da Silva, por ele ter tomado o partido do infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira e os entregou, com a quinta da Silva, a Diogo Gomes da Silva, seu valido, filho ilegítimo de João Gomes da Silva, que ocupou o cargo de copeiro-rnor no reinado de D. João I e ainda em 1437 exercia a função de alferes-mor (38). Trata-se, evidentemente de um outro Aires Gomes da Silva, diferente do Aires Gomes da Silva, beneficiado de D. Pedro I, este deve ser o terceiro dos nove que usaram este nome (39).

 

Logo a seguir, Diogo da Silva vende a quinta a Leonel de Lima por quarenta mil reis brancos e dez reis de três libras e meia o real branco e um jantar de révora (40)

 

A 4 de Abril de 1451, João Lourenço e Lopo Alvarez, escudeiros de Leonel de Lima, tomavam posse em seu nome da dita quinta e «todallas cousas que a ella pertençem como logo de feito tomaram por terra e telha e pedras e por todallas cousas que a ella perteçem e defecharom as portas das casas da dita quintaa. E entrarom dentro em ella e forom açima da Torre della e se sairam fora e as tornaram a fechar. E disserom que por o poder que era na ditta carta ao ditto Lionel de Lima tomarom a ditta posse em seu nome realmente della e que se aviam por metidos em ella e que pediam a mim ditto tabelliam que de meu ofício lhe desse assy hum estromento» (41).

 

Braamcamp Freire, porém, apresenta uma versão diferente dos factos. Segundo ele, quando os bens de Aires da Silva foram confiscados, o rei doou-os, com a quinta da Silva, a Lopo Dias de Azevedo e este, com sua mulher Joana Gomes da Silva, irmã do anterior possuidor, por instrumento de 8 de Dezembro de 1413, a doaram a D. Maria Coelho, mulher de Gonçalo Anes de Sousa. Mais tarde, a quinta foi doada a Rui de Melo, por carta de 1 de Dezembro de 1468 (42),

 

Analisando estes elementos contraditórios e os dados internos dos documentos de D. Afonso V, o Dr. Jaime Cepa Machado conclui, por um lado, que se não deve tratar dos mesmos bens (43), e por outro, «que o pergaminho

 

( 38) Jaime Cepa de Miranda, Quinta e Torre da Silva – Valença in Caernos Vianenses, Vol. VI pág. 141-153

(39) Jaime, Cepa de Miranda, lbid.

(40) Ibid                      

(41) Ibid , pág 152.

(42) Braamcamp Freire, Brazões da Sala de Sintra.

(43) J Cepa de Miranda, op. Cit,  pág. 145.

 

 

pág. 139

 


 

que transcreve simultaneamente três documentos, pode constituir uma prova sub-reptícia de apropriação de bens, baseada na não identificação da quinta em questão, já que o terceiro documento é escrito por mão diferente dos primeiros, com espaço reservado para tal» (44). E o dr. Jaime Cepa conclui pela autenticidade do pergaminho, mas duvida da sua veracidade.

 

De qualquer modo, a Torre da Silva, em S. Julião da Silva, no concelho de Valença, e a poucos quilómetros de S. Pedro da Torre, é não só uma das nossas mais antigas torres senhoriais, como constitui, hoje, o único vestígio da casa solarenga que albergou uma das famílias mais antigas de Entre Douro e Lima.

 

Quando terá sido construída? As Inquirições de 1258 não fazem qualquer referência a esta torre nem ao seu senhorio. Dizem apenas que EI-Rei detém o padroado de metade da igreja e que possui alguns casais e feiras que andam aforados, recebendo de foro nas festas de ano, produtos vários como pão, linho, ovos, galinhas, vinho, castanhas e dinheiro (45)

 

Esta omissão é devida, certamente, à época tardia em que se construíram as torres fortificadas no Alto Minho (46). «As nossas torres não vão, umas além da segunda dezena do século XIV, outras do tempo de D. Afonso V, D João III e do domínio filipino e as mais recentes do século XVII (47).

 

 

*

*           *

 

Dos filhos de D. Paio Gomes da Silva e dos seus descendentes próximos, procederam os vários ramos dos Silvas, em que se dividiu a linhagem.

 

2. As ramificações da Casa da Silva

 

Braamcamp Freire, ao estudar os Brasões da Sala de Sintra, depara com dificuldades especiais para clarificar a genealogia da Casa da Silva. Divide ele a árvore dos Silvas em sete troncos principais:

 

(44) Ibid

(45) P. M. H . Inquisitiones, Vol. I, Fasc. III, pág.366.

(16) Lotirenco AIw.,s,op. cit--- ~»g 58-59.

(47) L. Figueiredo da Guerra, Torres Solarengas do Alto Minho, Sep. de «O Instituto», Vol 72. nº 4 1925, pág 8 .

 

 

pág. 140

 


 

1 . O tronco dos Silvas de Elvas, com o ramúnculo dos Alcaides de Campo Maior e Ouguela.

 

2. O tronco dos Condes de Portalegre e Marqueses de Gouveia.

 

3 . O tronco dos Condes de Cifuentes com vários ramos em Espanha e um em Portugal.

 

4. O tronco dos Senhores e Marqueses de Vagos.

 

5. O tronco dos Senhores e Condes de Unhão, rebento saído do precedente tronco.

 

6. O curto tronco dos Alcaides de Moura que se estende aos Marqueses de Alegrete.

 

7. O mais avantajado em Espanha, o tronco dos senhores de Chamusca, Duques de Pastrana, que provieram dos senhores de Vagos e deixaram em Portugal o ramo dos Condes de Santiago (48) .

 

Façamos uma breve referência a cada um destes troncos e vejamos onde toma seu pé o ramo dos Silvas que estão na origem da quinta de S. Julião do Calendário, no vale do Tamel.

 

1. Os Silvas de Elvas

 

Gomes Pais da Silva, o segundo com esse nome, filho de D. Paio Gomes da Silva, senhor da quinta da Silva, casou por duas vezes e teve entre outros, do primeiro casamento, Martim Gomes da Silva e do segundo, João Gomes da Silva.

 

A Martim Gomes da Silva sucedeu-lhe o seu único filho varão Aires Gomes da Silva, O Velho. Era vassalo de D. Pedro I, quando por carta de 3 de Julho de 1395, lhe mandou entregar o castelo de Santarérn (49), Casou com Senhorinha Martins e dela teve três filhos: Rui Gomes da Silva, Fernão Gomes da Silva e Afonso Gomes da Silva, alcaide do Castelo de Coimbra.

 

Rui Gomes da Silva foi vassalo de D. Pedro I que, por carta de 18 de Janeiro de 1402, lhe doou os casais e vinhas por ele possuídos em Pinheiro e da quinta de Corroles, no almoxarifado de Lamego (50). Teve quatro

 

(43) Braancamp Freire, o. cit.

 

(49) A.N.T.T., Chencelaria de D. Pedro I, Liv. 1, Fl 5,

 

(50) A .N.T. T. ibid. Liv. I, Fl 92.

 

 

pág. 141

 


 

filhos: Pero Gomes da Silva, 2º alcaide de Campo Maior e Ouguela, Fernão da Silva, Diogo da Silva Mendes, 1º Conde de Portalegre e Afonso Teles de Meneses, 3º alcaide de Campo Maior e Ouguela, João Gomes da Silva, que mais tarde ingressou na ordem Franciscana e veio a ser conhecido por Beato Amadeu, D. Branca de Meneses e D. Beatriz da Silva que em 1434 fundou em Toledo a Ordem da Imaculada Conceição de Maria e foi recentemente canonizada.

 

Fernão da Silva ou Fernão da Silva Meneses depois de ter estado algum tempo em Espanha, passou a morar em Elvas e casou com D. Maria de Abreu, filha de Fernão de Abreu.

 

2. Os Silvas, Condes de Portalegre e Marqueses de Gouveia

 

Diogo da Silva Meneses, terceiro filho de Rui Gomes da Silva, alcaide-mor de Campo Maior e Ouguela, começou por servir em África, acompanhando em 1464 o Infante D. Fernando a Tânger e lá ficou cativo (51). D. Manuel fê-lo Conde de Portalegre em 1496, com as rendas, a jurisdição e o castelo. Depois deu-lhe as alcaidarias-mores de Portalegre e Assumar e fê-lo capitão das mesmas vilas (52).

 

Em 1498, faz-lhe o Rei, doação de juro e herdade das vilas de Celorico, Gouveia, S. Romão e outras (53).

 

Foi casado com D. Maria de Aiala, de quem teve quatro filhos, um dos quais D. Miguel da Silva, veio a ser nomeado Cardeal em Roma, mau grado a oposição do Rei, faleceria na Cidade Eterna, em condições económicas difíceis e foi sepultado na igreja de Santa Maria Transtiberina (54).

 

D. João da Silva, filho primogénito de seu pai, sucedeu-lhe no título de Conde de Portalegre e, como ele, os seus descendentes.

 

3. Os Condes de Cifuentes

 

Do segundo Gomes Pais da Silva foi filho, nascido do seu segundo casamento, João Gomes da Silva. Como seu pai, também ele casou duas vezes e de cada uma das suas mulheres teve um filho varão: da primeira, Aires Gomes da Silva, o Moço, e da segunda João Gomes da Silva.

 

(51) Rui, de, Pina, Crónica de D. Afonso V, pág, 509,

 

(52) A N T T_ Chancelaria de D Manuel, liv. 31, Fl 9

 

(53) Ibid, Fl 9

 

(54) Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, III parte, pág. 908-931,

 

 

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A primeira notícia referente a Aires Gomes da Silva, o Moço, consta de uma carta de 29 de Setembro de 1396, em que D. Pedro I lhe manda entregar a quinta da Silva, no almoxarifado de Valença; esta doação, por agora temporária, viria a tornar-se perpétua por outra carta de 15 de Julho do ano seguinte, em que o Rei sublinha o seu muito serviço a ele, EI-Rei e ao Infante D. Fernando (55).

 

D. Fernando mandar-lhe-ia entregar os castelos de Valença, Guimarães e Cerveira (56) e far-lhe-ia doação, algum tempo depois, dos lugares de Unhão, Vilar de Torno, Manhuncelos, Atães, Vila Caís, Brunhais e Regilde, na comarca de Entre Douro e Minho (57). A estas doações vão seguir-se outras, como a do lugar de Cepães, em Entre Douro e Minho (58).

 

No ano seguinte, Aires Gomes da Silva estava já casado com D. Urraca Mendes, sua segunda mulher, pois nesse ano, o Rei doa-lhe a ele e a sua mulher Urraca Mendes e a todos os seus herdeiros e sucessores, a quinta de Palma, em termo de Monforte (59).

 

Em 1371, era alferes-mor do Rei, conforme se vê pela carta de doação da terra de Meinedo, no julgado de Lousada (60). Os motivos de todas estas doações insistem sempre nos seus «muitos e altos serviços e obras de grandes merecimentos que sempre fez e faz mui leal e verdadeiramente... assim em nos a judar a criar de pequeno, sendo nosso aio, como em guerras grandes que houvemos, etc.».

 

A seu filho do primeiro matrimónio, Gonçalo Gomes da Silva, fez D. Fernando, doação da terra de Aguiar de Pena «por muitos e estremados serviços que recebemos de Aires Gomes da Silva, nosso vassalo e alferes-mor, seu padre» (61). Pouco mais tempo deve ter vivido, pois que o Rei fazia de novo doação da referida terra de Aguiar de Pena, a Lopo Dias de Azevedo, a 24 de Agosto de 1423 (62).

 

Gonçalo Gomes ela Silva faleceu antes de seu pai e o filho do segundo casamento de Aires Gomes da Silva foi Afonso Gomes da Silva, que passou para Castela, vindo a chamar-se Alonso Tenório, Foi adiantado de Caçorla, senhor de Barciente e teve de sua mulher, além de outros filhos, D. João

 

(55) A.N.T.T. , Chancelaria de D. Pedro I, Liv. I, Fls. 4 e 33.

 

(56) A.N.T.T. , Chancelaria de D. Fernando, Liv I, Fls. 7, 6v e 16v

 

(57) A.N.T.T , Ibid., Liv I, Fls. 4 e 14

 

(58) A.N.T.T, Ibid- Fl. 15v.

                                   

(59) A.N.T.T, Ibid- Fl. 31

 

(60) A.N.T.T, Ibid , Fl. 87v

 

(61) A.N.T.T. , Chancelaria de D. João I, Liv. I, Fl. 88v.

 

(62) A.N.T.T, Ibid , Liv. I, Fl. 88v

 

 

pág. 143

 


 

da Silva que foi Conde de Cifuentes e seus descendentes vieram a ser marqueses de Montemor.

 

4. Os senhores de Vagos, Condes de Aveiras e Marqueses de Vagos

 

Gonçalo Gomes da Silva foi filho do segundo casamento de João Gomes da Silva, o Velho. Aparece como cavaleiro vassalo de EI-Rei, no tempo de D. Fernando, alcaide-mor de Sabugal e de Montemor-o-Velho, senhor das terras de Nespereira e das Motas, no termo de Viseu e possuidor de outras rendas reais.

 

D. João I, por carta de 1 de Agosto de 1384, fez-lhe novas mercês do lugar de Cantanhede «vendo e considerando em como Gonçalo Gomes da Silva nos faz serviço em esta guerra por defensão dos reinos» (63).

 

Foi Gonçalo Gomes da Silva casado com Leonor Gonçalves e dela teve, entre outros, os seguintes filhos varões: João Gomes da Silva, 1º senhor de Vagos; Diogo Gomes da Silva, que aparecerá no ramo dos condes de Vilar Maior, Alegrete e Penalva; Fernão da Silva, que foi estribeiro-mor de D. Duarte e D. João II e progenitor de vários Silvas «nenhum dos quais fundou casa, mas foram soldados valentes, em terra e mar, no Reino e nas conquistas» (64).

 

João Gomes da Silva, filho primogénito de Gonçalo Gomes da Silva, teve, em 23 de Abril de 1422, carta de doação temporária do lugar de Vagos (65); pouco depois, esta doação tornar-se-ia perpétua (66). Anteriormente, em 1423, havia-lhe sido feita doação para sempre de todos os bens móveis e de raiz possuídos em Guimarães, seu termo e outras partes do Reino, por Aires Gomes da Silva e sua mulher D. Urraca.

 

Serviu a D. João I como copeiro-mor e alferes-mor, o qual lhe fez várias mercês, como por exemplo o lugar de Unhão, as terças das igrejas de Santiago do Castelo, Santa Maria de Caminha e S. Cibrão de Vila Nova de Cerveira, doação do castelo de Valença, etc.

 

João Gomes da Silva foi o fundador da quinta de S. Silvestre, a qual deu origem à freguesia, onde depois se edificou o mosteiro de S. Marcos (67)_.

 

(63) A.N.T.T., lbid., Liv. I, FI. 3.

 

(64) Braancamp Freire, op. cit., II, pág. 46.

 

(65) A.N.T.T., Chancelaria de D. João 1, Liv. I, Fl. 7v.

 

(66) A.N.T.T,, Liv. V, FI. 137v.

 

(6 7) Joaquim de Vasconcelos, O convento de S. Marcos, doc. I, in Revista de Guimarães, Vol. XIV, pág. 93.

 

 

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Casara João Gomes da Silva com D. Margarida Coelho, filha de Egas Coelho, e deste matrimónio nasceu um único filho varão, Aires Gomes da Silva; uma das suas filhas Teresa da Silva, viria a casar com Fernand'Anes, dos Limas, abrindo assim o ramo, donde proviria a Morgada da quinta da Silva, em S. Julião do Calendário.

 

A João Gomes da Silva sucedeu-lhe Aires Gomes da Silva, em quem seu pai renunciou o senhorio das terras de Unhão, Brunhais, Torre de Vilar, Cepães, Vila Cais, Regildo, Atães, Manhuncelos e Vagos.

 

Dos seus descendentes, muitos foram regedores da Justiça da Casa da Suplicação.

 

5 - Senhores e condes de Unhão, Condes da Vidigueira e Marqueses de Niza

 

Aires Gomes da Silva, segundo senhor de Vagos e Unhão, teve dois filhos: João da Silva, quarto senhor de Vagos e Fernão Teles de Meneses, 3º senhor de Unhão. A casa foi confiscada a Aires Gomes por ser partidário do infante D. Pedro e ter estado de seu lado na batalha de Alfarrobeira, foi-lhe restituída a ele e a sua mulher D. Beatriz de Meneses, em 1423, para ser dividida pelos seus filhos. Na divisão, ficou o primeiro com Vagos e outras terras e o segundo com Unhão, Cepães, Gestaçô, Meinedo e Ribeira de Soaz,

 

Fernão Teles foi mordomo-mor e governador da casa da princesa D. Leonor, mulher do futuro D. João II e tanto a ela como a seu pai serviu dedicadamente. Tinha a sua casa em Santarém, em Fora de Vila e aí tomaram assento os senhores de Unhão.

 

Pelo casamento do V Conde de Unhão, João Xavier, com D. Maria José da Gama, 4ª marquesa de Nisa, viúva do marquês Nuno de Silva Teles, filho segundo do terceiro marquês de Alegrete, veio entrar a casa de Nisa na de Unhão e não só a de Nisa, mas também a de Cascais e Castanheira.

 

6 - Condes de Vilar Maior, Marqueses de Alegrete e Penalva

 

De Rui Teles de Meneses, 4º senhor de Unhão, foi filho segundo, Brás Teles de Meneses, camareiro-mor do Infante D. Luís, em substituição de seu pai, acompanhou o Infante na expedição de Tunes. Sucedeu-lhe seu filho Rui Teles de Meneses, 2º alcaide de Moura e camareiro-mor do infante D. Luís, em sucessão de seu pai.

 

 

pág. 145

 


 

O seu segundo filho, João Gomes da Silva, foi alcaide-mor de Seia e capitão-mor da armada da Índia em 1567 e regedor da Casa da Suplicação.

 

Fernão Teles de Meneses foi o 1º Conde de Vilar Maior e nas gerações seguintes entraram na família os marqueses de Alegrete e Penalva,

 

7 - Senhores da Chamusca, Duques de Pastrana

 

Diogo Gomes da Silva, segundo filho de Gonçalo Gomes da Silva, alcaide-mor de Montemor o Velho e irmão de João Gomes da Silva, 1º senhor de Vagos e alferes-mor, serviu em 1415 na expedição de Ceuta e lá foi armado cavaleiro pelo Infante D. Henrique.

 

Do seu casamento com Isabel Vasques de Sousa, nasceu Rui Gomes da Silva, primeiro senhor de Chamusca e Ulme e Gonçalo Gomes da Silva, primeiro alcaide-mor de Soure, João Gomes da Silva e Diogo da Silva.

 

A Rui Gomes da Silva fez o infante D. Pedro doação das terras de Mação e Vila Nova de Fozcoa. Rui Gomes casou em 1552 com D. Ana de Mendonça e por ela teve em 1555 o título de conde de Mélito.

 

D. Diogo da Silva y Mendonça, 1º marquês de Alenquer, foi duque titular de Francavila, conde de Salinas e Ribadeo e primeiro marquês de Alenquer.

 

3 - A linhagem de D. Maria da Silva de Lima, primeira Morgada da Quinta da Silva, em S. Julião do Calendário

 

D. Maria da Silva de Lima, primeira Morgada que o foi da Quinta da Silva, na freguesia de S. Julião do Calendário, entronca no ramo dos Silvas, senhores de Vagos, Era descendente em linha recta de Teresa da Silva, filha de João Gomes da Silva e de D. Margarida Coelho. Pelo seu casamento com Fernand'Anes, da Casa dos Limas, Teresa da Silva vai entrar na estirpe dos Limas.

 

Também a origem dos Limas se situa na Galiza, precisamente nas margens do rio Lima. Viviam nos reinos de Galiza, Leão e Castela, tendo alguns membros da família passado temporariamente para Portugal, uns em serviço militar, outros por terem casado aqui. Destes, foi um D. João Fernandes de Lima, dito «Batissela», que casou com D. Maria Anes, filha de D. João de Albim. É provável que os Limas, Viscondes de Vila Nova de Cerveira, descendam dos Batissellas ou Limas antigos (68).

 

(68) Braancamp Freire, op. cit., Ill, pág. 72-105

 

 

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O progenitor certo dos Limas portugueses foi Fernão Anes de Lima que passou para Portugal e ficou ao serviço de D. João I, de quem era vassalo, quando em 1398, o Rei pôs cerco à cidade de Tuy. Sobre o próprio arraial de Tuy, o Rei fez doação àquele fidalgo, para ele e seus descendentes legítimos, da casa de Giela com todas as suas pertenças e da terra de Val de Vez (Arcos de Valdevez), com a jurisdição civil e criminal (69). Seis meses depois, nova doação do Rei, de juro e herdade, das terras de Fraião, Coura, S. Martinho, S. Estêvão, Jaraz, e Val de Vez, na comarca de Entre Douro e Minho, com todos os seus lugares, termos, julgados, territórios, herdades, rendas, direitos, foros, pertenças (70), etc.

 

Fernão Anes ou Fernand'Anes de Lima casou com D. Teresa da Silva (71), filha de D. João Gomes da Silva, primeiro senhor de Vagos e copeiro-mor e de D. Margarida Coelho, filha de Egas Coelho, mestre sala de D. João I e primeiro senhor de Montalvo em Castela, D. Teresa da Silva, a quem chamaram a «Boa», pelas suas qualidades, foi dama da rainha D. Filipa de Lencastre.

 

Segundo Frei António Brandão, por causa deste casamento, em memória de D. Teresa da Silva, os Limas aquartelaram ao escudo das suas armas o leão dos Silvas.

 

Deste casamento nasceram dois filhos: Álvaro Rodrigues Lima que sucedeu pouco tempo na casa de seu pai, pois faleceu novo, e Leonel de Lima que o substituiu e que seria o bisavô de D. Maria da Silva Lima.

 

Leonel de Lima começou por ser criado do infante D. Duarte e com esta designação alcançou de D. João I, em Avis, por carta de 24 de Janeiro de 1429, confirmação dos lugares e terras de Fraião, Coura, S. Martinho, S. Estêvão, Jaraz, e Val de Vez e da Casa de Giela, com todas as suas pertenças que tinham vagado para a Coroa pela morte, sem filhos, de seu irmão Álvaro Rodrigues de Lima (72),

 

Leonel de Lima casou com D. Filipa da Cunha, criada de D. João I, que lhe deu o dote de «tres mil e quinhentas coroas de bom oiro de cunho do rei de França». Era D. Filipa da Cunha, filha de Álvaro da Cunha, 3º senhor de Pombeiro e portanto neta da rainha D. Leonor Teles. Segundo documento de 25 de Setembro de 1450, teria comprado a Diogo da Silva a quinta «que jaz no termo de Valença».

 

(69) A.N.T.T., Chancelaria, de D. João I, $Liv. II,  FI. 145v.

 

(70) A.N.T.T., Ibid., Liv. lI, Fl. 181v.

 

(71 ) O seu testamento encontra-se reproduzido no Arquivo Histórico Português, Vol V, págs. 267-269,

 

(72) A. N. T. T., Chancelaria de D. João I, Liv. IV, Fl. 110.

 

 

pág. 147

 


 

Leonel de Lima levantou o castelo de Ponte do Lima, por ordem de D. Afonso V: «ordenamos que em nossa villa de Ponte do Lima se faça ora novamente um castello em as casas de Leonel de Lima, do nosso conselho, que são dentro em a dita villa, que é logar assaz conveniente as quais nos o dito Leonel de Lima, para ello deu livremente... Mandamos aos moradores da villa e a todos os corregedores, Juízes, Justiças, etc. que deixem daqui em diante fazer e edificar o dito castello ao dito Leonel de Lima em as ditas casas e delas até ao muro possa filhar aquelle chão e parte do muro e torre que vir que e necessário e compridouro, etc.». Nomeia-o de juro e herdade, alcaide-mor do Castelo de Ponte do Lima que ficará perpetuamente para todos os seus filhos e netos, descendentes por linha direita, contando que, da feitura da carta a cinco anos, seja completamente feito e edificado o castelo». Foi passada esta carta em Elvas a 26 de Abril de 1464 (73).

 

A 4 de Maio de 1476, depois de ter acompanhado o Rei a Toro, deu-lhe D. Afonso V os títulos de Dom e de Visconde, mandando que dali em diante se chamasse Leonel de Lima, Visconde de Vila Nova de Cerveira. Foi este o primeiro visconde de Portugal e o único durante mais de meio século.

 

D. Leonel de Lima morreu com 92 anos a 13 de Abril de 1495, sendo confirmado na sua casa, seu filho D. João de Lima. A viscondessa D. Filipa da Cunha tinha morrido a 7 de Setembro de 1486 e ambos os viscondes foram sepultados na capela de Nossa Senhora da Piedade do convento de Santo António de Ponte do Lima, que haviam fundado (75).

 

Tiveram dez filhos, sendo seis varões. Destes, apenas formaram linha dois: D. João de Lima, o 2º visconde que continuou a casa e Fernão de Lima, alcaide-mor de Guimarães, tronco da Casa de Castro Daire.

 

Este ramo, o dos Alcaides-Mores de Guimarães, é dos senhores de Castro Daire, por casamento. Foi Fernão de Lima, segundo filho de Leonel de Lima, que se afasta do tronco. Começou Fernão de Lima por servir no Paço, na qualidade de moço fidalgo, passando depois a cavaleiro fidalgo.

 

Em 1471, D. Afonso V nomeia-o para copeiro-mor de seu filho herdeiro. Tomou o príncipe grande amizade a este criado que o acompanhou não só nas jornadas de África e Castela como nas estúrdias nocturnas. Foi um valente e dedicado amigo de D. João II que, não só lhe confirmou o ofício de copeiro-mor, como lhe deu uma boa casa e o cumulou de várias mercês

 

(73) Braancamp Freire, ob. cit., lI, págs. 81-82.

 

(74) A.N,T.T., Chancelaria de D. Afonso V, Liv. XXII, Fl. 50 v.

 

(75) Frei Fernando da Soledad. Historia Seraphica, vol. III, pág, 604

 

 

pág. 148

 


 

Na véspera da sua morte, D. João II confirmaria, ao filho mais velho do seu copeiro-mor, o castelo de Guimarães e todas as mais tenças e dinheiros que ele da fazenda real tivera (76).

 

Casou Fernão de Lima com D. Constança de Azevedo, filha de Diogo Lopes de Azevedo, senhor de Aguiar de Pena e S. João de Rei, para o que lhe desembargaram 3000 coroas pagas à razão de 120 reais cada uma (77). Sobreviveu D. Constança, muitos anos a seu marido.

 

D. João II depois de fazer Fernão de Lima seu copeiro-mor, nomeara-o alcaide-mor e fronteiro-mor e capitão de Guimarães. Depois, fez-lhe mercê das dízimas da mesma vila e concedeu-lhe várias tenças; doou-lhe a terra de São Ceriz e confirmou-lhe as rendas da alcaidaria-mor de Vila Nova de Cerveira, os direitos e as rendas da portagem de Guimarães e fez-lhe mercê das carnes, dinheiros e rendas de Maravide (sic) e Braga e de quaisquer outras coisas «que nós tenhamos e nos pertença haver nas freguesias de que por esta nossa doação lhe temos feito mercê em a vila de Guimarães» (78).

 

Entre outros filhos, deixou Fernão de Lima, Diogo Lopes de Lima, que lhe sucedeu, Jerónimo e João de Lima, capitão de Calecur, ambos valentes soldados, de cujas façanhas falam os cronistas.

 

Na linha de Diogo Lopes de Lima ficou o castelo de Guimarães e o senhorio de Castro Daire.

 

Uma das filhas de Fernão de Lima foi D. Maria da Silva. Esta casou com Francisco Lopes e, deste consórcio, nasceu D. Margarida de Lima da Silva.

 

D. Margarida de Lima da Silva casou com Rui Mendes de Mesquita. Este Rui Mendes de Mesquita foi à Índia por capitão de uma nau e foi um dos fidalgos que D. João III escolheu para a acompanhar seu irmão, o infante D. Luís, quando foi com o imperador Carlos V à tomada de Tunes. Deste Rui Mendes de Mesquita foram irmãos o grande Diogo de Mesquita, a quem EI-Rei de Cambaia mandou matar com uma bombarda na mão por não querer renegar a fé e fez coisas espantosas ao serviço do mesmo Rei, como se lê na quarta década de Couto, e veio a ser governador de Sofala e Moçambique. Deles, foi também irmão, Manuel de Mesquita, capitão que foi na Índia de Cananor e depois governador de Muna, onde veio a morrer. Um outro irmão deles foi Afonso Pimentel, que morreu sendo governador de Cabo Verde.

 

(76) A.N.T.T., Chancelaria de D. João III, Liv. XLI, pág. 72.

(77) A.N.T.T., ibid., Liv. XXXI, FI. 70v e Liv. XLI, FI, 81v.

(78) A.N.T,T., Liv. XLI, Fis. 71 e 81.

 

 

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Rui Mendes de Mesquita e D. Margarida de Lima da Silva tiveram como filha D. Maria da Silva de Lima, que casou com António de Sousa Alcoforado e a quem sua mãe deu como dote de casamento a quinta da Silva, em S. Julião do Calendário.

 

III - A CASA DOS ALCOFORADOS

 

«Estou ainda em alguma dúvida quanto ao local da Torre dos Alcoforados. Existem documentos que fallam da Torre dos Alcoforados em Frazão; outros, da Torre dos Alcoforados, em Lordelo. O que inculca que havia duas Torres com esta denominação.

 Entretanto, por outro lado, parece que a Torre de Lordelo é que era o Solar dos Alcoforados. E consta que o primeiro que usara o appellido Alcoforado fora Pero Martins Alcoforado, que viveo no Reinado do Sr. D. Affonso 2º entre os annos de 1210 e 1220».
 

Carta de Manuel Vidal, arquivista da Casa da Silva a Francisco de Sousa da Silva Alcoforado, de 5 de Outubro de 185 1. (A. C. S.)

 

Na origem do Morgado da Quinta da Silva, em S. Julião do Calendário estão duas famílias: a família Silva, a quem a quinta pertencia e a família Alcoforado a quem pertencia António de Sousa Alcoforado que casou com D. Maria da Silva de Lima. É portanto, natural, que demos alguns traços do perfil dos Alcoforados, como fizemos para os Silvas.

 

Como acontece com a Casa da Silva, também as origens da família Alcoforado não são fáceis de precisar. De resto, elas devem-se situar numa fronteira histórica e cultural muito próxima da dos Silvas.

 

O Conde D. Pedro faz remontar a origem dos Alcoforados a Mendo Gomes ou Gomes Mendes, cavaleiro descendente dos reis godos, que vivia com outros cristãos em Toledo, quando o rei D. Afonso de Castela investiu contra os mouros em 1085.

 

Este D. Mendo Gomes foi pai de D. Gueda, a quem o Conde D. Pedro chama o Velho e Frei António Brandão Gueda Mendes, e veio para Portugal com o Conde D. Henrique. Era rico-homem e como tal confirma o foral que o Conde D. Henrique concedeu em 1096 à vila de Constantim de

 

 

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Panoias (79) e um contrato que faz D. Teresa de Portugal com sua irmã a rainha D. Urraca de Castela e a renúncia que faz o bispo Odorico de Viseu, em favor de D. Gonçalo, Bispo de Coimbra, em 1120. Ainda uma outra intervenção de D, Gueda é testemunhada pela doação que D. Afonso Henriques fez da Terra de Regalados à Sé de Braga, em 1180.

 

D. Gueda Mendes teve como filho mais velho, D. Muer Gueda ou Guedes, o moço que foi senhor da terra de Aguiar e viveu, reinando D. Afonso Henriques. Teve dois filhos: D. Pedro Mueris, que lhe sucedeu e D. Urraca Mueris, que casou com D. Louro Pais Correia, deles procedendo a geração dos Correias.

 

D. Pedro de Mueris herdou a casa de seu pai e casou com D. Teresa Aires de Ambia, filha de Aires Ambia, rico-homem da côrte de EI-Rei de Leão. Dela teve um filho, Mem Pires de Aguiar, que lhe sucedeu.

 

Mem Pires de Aguiar tomou este nome por ser senhor da Torre de Aguiar de Sousa, ou de parte dela, pertencente a seu pai e casou com D. Maior Garcia, filha de Garcia Afonso, do tronco dos Porto Carreiros e de sua mulher D. Estefânia ou Estefina. Deste casamento nasceu Pedro Mendes de Aguiar.

 

Pedro Mendes de Aguiar viveu ainda uma parte da sua vida no tempo do reinado de D. Afonso Henriques e outra no tempo de D. Sancho I. Casou com D. Estefânia Mendes de Gondar, filha de D. Mendo de Gondar, um dos capitães que vieram com o Conde D. Henrique para este reino, e de sua mulher D. Goda. O seu nome aparece a confirmar a doação que D. Afonso Henriques faz, ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, da igreja de Leiria em 4 de Abril de 1142 (80). D. Pedro e sua mulher tiveram quatro filhos: Martim Pires de Aguiar, D. Urraca, D. Dordice e D. Maria.

 

Martim Pires de Aguiar viveu reinando D. Sancho I e casou com D. Luísa Gonçalves de Sousa, filha de D. Gonçalo Mendes de Sousa, o Bom e de D. Goldora Goldares da Refeiteira, padroeira do mosteiro de Mostelo, bisneta de D. Egas Gomes de Sousa, o primeiro a usar este apelido. Com sua mulher herdou os padroados de Bostelo e de outros bens da Casa dos Sousas. Por via disso, ficaria sepultado no mosteiro de S. Miguel de Bostelo, de que eram padroeiros.

 

Sucedeu-lhe seu filho Pedro Martins Alcoforado, o primeiro que tomou este apelido, no reinado de D. Afonso lI, por ser senhor do solar e torre de Alcoforado, lugar da freguesia de Lordelo, no concelho de Aguiar de Sousa. Foi o segundo padroeiro do mosteiro de Bostelo e casou com D.

 

(79) D.M.P., Documentos Régios, VOL.I, Tomo I, Doc. nº 3.

 

(80) Ibid., Doc 193.

 

 

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Teresa Soares de Paiva, filha de D. Soeiro Pais de Paiva e de sua mulher D. Urraca Mendes de Bragança. Foi senhor da honra de Prozelo no convento de Penafiel de Sousa.

 

O seu filho D. Afonso Pires Alcoforado herdou-lhe a casa e a torre dos Alcoforados, tendo vivido nos reinados de D. Sancho II e de seu irmão D. Sancho III. Foi rico-homem como consta de várias escrituras que confirma com estes reis, de um modo especial o contracto celebrado entre D. Sancho e suas tias, as Infantas D. Teresa e D. Sancha, a 23 de Junho de 1223. Casou com D. Aldara Gomes, filha de D. Gomes Viegas Frade e de sua mulher Teresa Gonçalves de Mós e terceira neta de Egas Moniz. Tiveram oito filhos, sendo o mais velho Martim Afonso Alcoforado.

 

Martim Afonso Alcoforado, que sucedeu a seu pai, viveu no tempo de D. Dinis e casou em primeiras núpcias com D. Maria Vicente Godins, filha de Vicente Godins, de Coimbra e neta de D. Godinho de Coimbra, grande privado de EI-Rei D. Afonso IX de Castela e teve dela uma única filha, D. Aldara Martins Alcoforado, que casou com Gil Martins Zote e deles procedem os Condes da Feira. Por falecimento de sua esposa, voltou a casar com D. Maria Ribeiro, filha de D. Pedro Afonso Ribeiro e de sua mulher D. Alda Martins. Deste segundo matrimónio, nasceu Pedro Martins Alcoforado, que seria o seu herdeiro.

 

Pedro MartinsAlcoforado, viveu quando reinava D. Afonso IV e D. Pedro I, vindo a ser nomeado por este, em 1337, alcaide de Elvas. Casou com D. Maior Gonçalves Camelo, filha de Gonçalo Martins Camelo e de sua mulher D. Teresa Anes de Porto Carreiro. Uma sua filha, D. Maria Alcoforado, casou com Afonso Correia, senhor de Fardães e destes procedem os senhores daquela casa.

 

Herdou-lhe a casa, a torre e mais privilégios, o filho Gonçalo Pires Alcoforado que foi fidelíssimo da Casa de D. Pedro I, que em 1357, lhe deu a alcaidaria de Campo Maior e teve o foro dos Infanções com ração paga no mosteiro de Grijó. Casou com D. Brites Dias do Avelal, filha de Estêvão Dias do Avelal e de sua mulher D. Senhorinha Afonso de Mendonça. D. Brites deixou ao mosteiro de Bostelo, de que eram padroeiros, algumas casas e terras com a obrigação de lhe dizerem duas missas cada semana pelo seu marido.

 

Martim Gonçalves Alcoforado, filho herdeiro de Gonçalo Pires Alcoforado, nasceu em 1366 e herdou de seus pais, a sua casa e a sua quinta. Serviu D. João I, a quem acompanhou nas suas guerras contra Castela, o qual, sendo ainda regente, o recompensou dos seus serviços, dando-lhe as terras de Santa Cruz de Riba Tâmega, com seu senhorio. Foi senhor da honra de Baltar e Arco de Bagulhe, em Basto, concedidos por D. Nuno

 

 

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Álvares Pereira em 1396, a quando da repartição que este fez de algumas terras das muitas que possuía e como recompensa da valentia que com que ele se houve na batalha de Aljubarrota. Casou com D. Maria da Fonseca, filha de Rui Pisano da Fonseca, de cujo matrimónio nasceu Fernão Martins Alcoforado.

 

Fernão Martíns Alcoforado viveu no tempo de D. Afonso V e foi também ele senhor e donatário da honra de Frazão e da vila da Mourisca. Combateu em Alfarrobeira, ao lado do infante D. Pedro. Casou com D. Maria da Cunha, filha de Gil Vaz da Cunha, senhor donatário da Maia, Porto Carreiro e Penaguião, trouxe com ela, como dote, a quinta da Torre, no concelho de Porto Carreiro. Teve o padroado de Vila Boa de Quires com uma grande comenda da Ordem de Cristo. Faleceu em 1453.

 

Gonçalo Vaz Alcoforado, além de suceder na casa de seu pai, Ievou também a metade da Vila Mourisca e herdou de sua mãe a quinta de Louredo, em Abragão, e o Casal de Cima da Vila, ambos no concelho de Porto Carreiro. Teve também a quinta do Faial, no termo de Barcelos, onde viveu no tempo dos reis D. Afonso V, a quem serviu nas guerras contra Castela, D. João II e D. Manuel. Foi fidelissimo da casa destes monarcas. Casou a primeira vez com D. Joana de Castro, filha de Fernão de Castro, alcaide-mor de Melgaço e de sua mulher D. Joana da Silva. Em segundas núpcias casou com D. Margarida de Sousa, filha de Fernão de Sousa de Magalhães e de sua mulher D. Isabel de Sousa, senhores da Casa de Pentieiros.

 

Francisco de Sousa Alcoforado, seu filho, nasceu em 1497, sucedendo a seu pai e dividindo a quinta de Alcoforado com seu irmão António de Sousa Alcoforado. Serviu na índia, combatendo nas guerras de Malaca e chegou a comandar uma fragata de guerra em 1538. Era então capitão-geral daqueles estados, D. Nuno da Cunha. Foi Comendador da Ordem de Cristo. Casou em 1524 com D. Maria Rangel, filha de Luís Álvares Rangel, comendador de Lavra e de D. Leonor Carneiro. Levou com ela como dote, a quinta de Canaveses e a comenda de Lavra. Morou na cidade do Porto, onde faleceu em 1550, sendo sepultado na Sé do Porto, na capela que está defronte ao altar do Sacramento. Tem as armas dos Sousas sobre a sua sepultura e um breve epitáfio.

 

Por testamento de 27 de Junho de 1562, D. Maria Rangel instituiu o Morgado, Capela e Vínculo da Ferreira, com o terço dos seus bens, para o qual terço tomou a sua quinta da Ferreira, com os seus foros e propriedades, a ela pertencentes. Nomeou, para primeiro administrador, seu filho António de Sousa Alcoforado, que seria também o testamenteiro. Regulou a ordem da sucessão deste Morgado e deixou vários outros legados. Recomendando

 

 

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a conservação e reparo da capela de Nossa Senhora do Avinhal, da quinta da Ferreira (81).

 

A Francisco de Sousa Alcoforado, sucedeu seu filho António de Sousa Alcoforrado, que lhe herdou a Casa e a quinta dos Alcoforados, agora vinculada por sua mãe, que faleceu em 1569, sendo sepultada na mesma capela onde foi sepultado seu marido, na Sé do Porto.

 

António de Sousa Alcoforado foi servir para a África no tempo de D. João III, que o agraciou com a Comenda de S. Pedro de Merelim, da Ordem de Cristo.

 

Por alvará de 1538, D. João III tomou-o por seu moço fidalgo, com mil reis de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia.

 

«Eu EIRey faço saber a vos Dom João da Silva Conde de Portalegre, meu mordomo mor q eu filho ora novamente por meu moço fidalguo amtonio de Souza, filho de Francisco de Souza Alcoforado fidalguo de minha casa com mil reis de moradia por mes e hum alqueire de cevada por dia paga segumdo a minha ordenança. Notificovolo asi pa q o façais assentar em os livros de minhas moradias deste presente ano em diante»... (82)

 

Em 1547, António de Sousa recebia ainda o título de escudeiro, sendo-lhe a moradia aumentada para mil duzentos e oitenta reis, que era tanto como seu pai tivera de moradia, pelo mesmo título de escudeiro (83).

 

António de Sousa Alcoforado casou em 1556 com D. Maria da Silva de Lima, filha de Rui Mendes de Mesquita, senhor do Morgado de Outiz e da quinta da Silva, em S. Julião do Calendário e de sua mulher D. Margarida de Lima da Silva, cuja linhagem, no tronco dos Silvas, senhores de Vagos, descrevi no capítulo anterior.

 

Dois filhos de António de Sousa Alcoforado morreriam na Índia: Francisco de Sousa e Rui Mendes de Sousa.

 

O brazão de armas do solar dos Alcoforados, na freguesia de Salvador de Lordelo tem um escudo esquartelado de prata (branco) e azul de sete peças em faixa e por timbre uma águia azul voante armada e enxequetada da banda direita, a metade a prata.

 

(81) Arquivo da Casa da Silva (A.C.S.) - Maço das Instituições. Testamento de D. Maria Rangel de 27 de Junho de 1562,

 

(82) A.C.S. Maço Diplomas, Títulos de Nobreza.

 

(83) A.C.S., ibid.

 

 

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